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Castração de gatos é uma rotina veterinária e as vantagens são muitas, para o animal e para o dono. A primeira vez que fui castrar um gato perguntei a outros criadores e pedi por conselhos. Uma resposta meio que usual foi que a fêmea deveria ter tido pelo menos um cio antes que fosse castrada. Para o macho, variaria entre oito meses e um ano de idade. As respostas vinham acompanhadas de diversas explicações médicas sobre tão perigoso era castrar um animal antes dessa idade. Entretanto, ficava no ar o fato de que nenhum dos "candidatos à resposta" podia provar comprovadamente porque exatamente seu ponto de vista era o correto. Castrar um animal ou não e quando fazê-lo não são decisões fáceis de serem tomadas. É sempre um ato cirúrgico, o animal estará sob efeito anestésico e, havendo a ausência do fator "sorte", as coisas podem realmente dar errado. Mas na grande maioria dos casos tudo corre bem. Então, restou a pergunta: quando castrar o felino? Ninguém quer, colocar seu animal sob risco desnecessário de uma castração prematura. Entre as mudanças que podem ocorrer, estão as seguintes: - Inibição do crescimento - Aumento de peso e conseqüentemente inércia. - Nas fêmeas, risco de desenvolvimento de infecções dermatológicas na região dos órgãos sexuais (internamente). - Especialmente nos machos, risco de cálculos renais e outras afecções urinárias. Assim, caso deposite sua confiança nos momentos de perigo acima descritos, o momento exato para a castração poderá se tornar quase uma questão de vida e morte. É o que diz a literatura especializada? Nesta hora recorremos a uma livraria à procura de material 'especializado' no assunto. É sempre verdade e confiável o que se diz nos livros? Eu mesma passei por uma série de livros técnicos antes de perceber que talvez apenas uma pequena parcela de documentação estabelecia com certa segurança o momento certo para a castração. Não encontrei nenhum que me dissesse com exatidão quando este momento pode ocorrer, mas consegui recomendações que chegavam perto. Em "The Cat owner", encontrei a seguinte informação: "Às vezes alguém sugere que, um macho necessita de hormônios masculinos para que o esqueleto venha a se desenvolver de forma correta (...) Isso acontece por volta de 6 a 9 meses de idade". No que dizia respeito a fêmeas, não é incomum castrá-Ias por volta de 8 a 12 meses de idade. Outra publicação recentemente lançada na Suécia, "Criação de gatos, agasalamento e Genética", afirma categoricamente que "Um gato não deve ser castrado antes de um ano de idade, quando então estará totalmente desenvolvido". Outro livro, "Cat for dummies", recomenda castração por volta dos seis meses de idade tanto para fêmeas quanto para machos. Em seu livro "Cats", Katrin Behrend afirma que "fêmeas devem ser castradas por volta dos 6 meses de idade, enquanto os machos não deverão ser castrados até que estejam sexualmente maduros, o que ocorre : entre 8 e 12 meses de idade". No "Your kitten", Ute Lehmann diz que ambos os sexos deverão ter por volta de 5 ou 6 meses para que possam ser castrados e, ainda, no livro "Guide to owning a siamese cat", Brenda Yule (1 997) diz que a fêmea normalmente deverá ter 4 meses de idade, enquanto o macho deverá ter um pouco mais. Toda essa informação foi recolhida de publicações relativamente recentes. Mas o que dizem as mais antigas? Um livro de 1943 dizia que o : melhor período para castração é quando o animal se aproxima dos 6 meses de idade. Na grande "Encyclopedia of the Cat", há a afirmação de que "o macho deverá ter 6 meses de idade, enquanto a fêmea poderá ser castrada a qualquer : momento após ter completado 4 meses na idade de 7 semanas. Ao contrário, as mesmas pesquisas mostraram a existência de grandes vantagens em tal atitude. De acordo com uma palestra de um veterinário-cirurgião e professor da Faculdade de Veterinária na Universidade da Flórida, Dr. Jamie Bellah, compararam-se filhotes castrados às 7 semanas de idade com outros castrados aos 7 meses de idade e ainda outros não castrados. O que se observou foi, entre outros fatores, que os animais castrados em idade tenra tornaram-se algo maiores que os demais, porque cresceram por um período maior que os animais não-castrados ou castrados mais tardiamente. O ritmo de crescimento, no entanto, foi o mesmo. Outras pesquisas não observaram efeitos colaterais negativos, como as realizadas pela equipe do Dr. Stubbs (1996), que comparou animais castrados na 7ª semana de idade com outros castrados no 7° mês de idade. Dr. Patricia Olson pesquisou incontinência urinária em fêmeas castradas e descobriu que a mesma é bastante incomum, sendo que, quando ocorre, deve-se raramente à falta de estrógeno e é geralmente causada por bactérias ou outros fatores. Pequisas ainda mostraram que animais castrados em tenra idade não comem mais nem menos que nãocastrados e que são tão ativos quanto seus semelhantes "intactos". Animais não-castrados, no entanto, apresentaram menos gordura geral e peso, daí a recomendação veterinária de reduzir a ingestão de calorias para os castrados. Minha experiência pessoal é que castrados geralmente ganham algum peso logo após a castração, mas, quando administrada alimentação apropriada e em quantidades adequadas, eles retornam ao peso original. Quanto ao sistema urinário, não foram registrados efeitos negativos e quanto aos órgãos sexuais internos, esses pareceram mais "infantis" nos animais castrados em tenra idade, o que não significa risco algum para a saúde do animal. O mito quanto à inércia do castrado foi desconfirmada. O que se observa nos castrados é mais afeição e menos agressividade. Pesquisas similares realizadas em outras universidades americanas mostraram mais ou menos os mesmos resultados. Em outras palavras: não existe nenhuma prova científica de que uma castração prematura tenha conseqüências negativas, mesmo quando se castra um animal em sua 7ª semana de idade. As vantagens são várias, entre elas fica a fêmea livre de câncer de mama e infecções urinárias. O macho não poderá desenvolver câncer de próstata ou de testículos. As vantagens quanto ao temperamento Já são talvez conhecidas de muitos um animal mais carinhoso e afetuoso, quase inexistente risco de marcação de território e um animal que não tem desejo de sair correndo pelo jardim ou fugir pela vizinhança. Um animal que tudo que tem a fazer na vida é aproveitá-la. Sem falar ainda na eliminação da situação de se obter filhotes indesejados. (Artigo de Connie Garfalk, Revista "Norsk Siameserog Orientalring" Tradução de Adriana Diesen, Gatil (N) Abedo' s Siamese). Revista Pulo-do-Gato |